O que algumas mulheres escondem de si mesmas

Há algum tempo, as mulheres têm levantado a voz para exprimir seu desejo de independência e liberdade, que se materializou externamente no modo de se dizer o que pensa, de vestir o que quer, de tomar a frente, de escolher, sentir e fazer acontecer do jeito que bem entender. Se por um lado essa postura favorece à mulher ser quem ela realmente é, por outro abre-se uma brecha para questionar: será que essa autoimagem externalizada não está sufocando a sua autêntica liberdade?

Embora sentindo-se cada vez mais livres na sociedade, no trabalho, na maternidade, nas tarefas sociais e domésticas, parece que grande parte das mulheres está encarcerada por seus próprios sentimentos e crenças. Enquanto aparentemente seguras no lado de fora, o caminho entre a mente e o coração de muitas mulheres se compõe de um vai-e-vem doloroso, que oscila entre o pensar, sentir e agir. Os conflitos internos são, muitas vezes, sufocados porque deixá-los fluir pode destruir com a imagem da mulher forte e, assim, desmascarada, quem vai querer se relacionar com uma mulher sensível e insegura?

Para mostrar que são valentes, apostam na aparência, nas roupas que lhe proporcionam uma identidade forte e autêntica, incorporam o perfil de multi atarefadas e publicam fotos cujas poses lembram artistas excêntricas ou que mostram boa parte do seu corpo com legendas que falam de força, foco e fé. Para quem elas estão querendo afirmar tudo isso? E para quê?

A primeira impressão é de que toda essa robustez feminina serve para chamar a atenção do outro – seja ele homem ou mulher – e com isso receber comentários agradáveis, que destacam sua beleza, popularidade, inteligência e excentricidade. Afinal, quem não é visto não é lembrado, se diz por aí. Para que seja reconhecida em meio a tantas mulheres belas, bem-sucedidas e qualificadas em diversos aspectos, é preciso se destacar, então surge a necessidade de despertar os olhares para si, o que traduz algum exagero na autopromoção que podemos perceber largamente graças às redes sociais na web. Muitos de nós, espectadores da atual exposição alheia, não medimos as críticas e atacamos essas mulheres das quais não vemos nada mais além da aparência. O quanto as conhecemos para julgá-las pelo o que mostram? Na maioria das vezes é muito pouco, por isso é que deveríamos nos manter bem quietinhos no nosso canto. E tem mais uma coisa…

Um olhar para dentro

A segurança que muitas mulheres expõem através da autoimagem idealizada e externalizada pode estar escondendo uma necessidade urgente de aprovação e autoaceitação, isso porque elas não identificam em si mesmas as suas reais qualidades. Resta então apelar para que o outro a aprove, já que ela não encontra outra saída para fazer isso. Para encontrar nossa verdadeira essência é preciso deixar que as nossas sombras surjam, o que, convenhamos, não é tão fácil de assimilar. Essas sombras, ou seja, as máscaras que nos afastam de encontrar a nossa real identidade, se traduzem em conflitos internos que, inconscientes, geram sentimentos de medo, raiva, insegurança e angústia injustificáveis à primeira vista. Contudo, quando negamos as sombras, a nossa alma chora enquanto vivenciamos uma superficialidade que faz o ego festejar, buscando alicerce em tudo o que privilegia o externo. Por isso, muitas mulheres buscam enaltecer seu ego através da aparência em vez de olhar para dentro, uma vez que as sombras só podem ser transformadas quando vierem à consciência, o que é um processo doloroso para qualquer um de nós. Assim, a aparente bravura no comportamento feminino pode ser um grito para chamar a atenção dos outros e esperar que eles descubram as qualidades que elas mesmas não conseguem enxergar em si. Isso então se torna um ciclo vicioso, no qual há uma espera incessante de aprovação de fora, mas que não é possível sem a autoaceitação.

A vida pode se tornar muito mais plena quando nos permitimos embarcar em uma jornada de descoberta do nosso verdadeiro eu, o que inclui sim olhar para os conflitos internos, mas ao nos depararmos com eles conseguimos identificar o que podemos melhorar e essa é a mais poderosa oportunidade para finalmente encontrar tranquilidade e atrair pessoas que, assim como a gente, estão tirando suas máscaras e encontrado o que é, de fato, a autêntica liberdade.


Maiana Antunes – Consultora em Comunicação / Jornalista / Pós-graduada em Master Trainer Training em Programação Neurolinguística / Em processo formativo das Constelações Familiares e Sistêmicas Integrativas com Tereza Brandão / Em Formação para Constelador Familiar Hellinger®