Como as pessoas tímidas se comunicam?

Toda a forma de se expressar, até mesmo o nosso silêncio, pode dizer muito sobre quem somos e até que ponto estamos abertos a nos relacionar – com qualquer pessoa, mesmo desconhecida. Por isso, hoje escrevo sobre os motivos que fazem alguém se aproximar ou não da gente, mas especialmente falo sobre as pessoas tímidas ou reservadas.

Já aconteceu com você de encontrar uma pessoa conhecida na rua e, ao demostrar seu entusiasmo em cumprimentá-la, você notou que ela mal sorriu ou se virou em sua direção? Muitos de nós podemos ficar chateados por essa atitude aparentemente retraída e logo criamos julgamentos do tipo: “ela acordou de mau humor hoje” ou “será que fiz algo que ela não gostou?” Nossa mente vai longe ao esgotar as possibilidades sobre o que levou essa pessoa a agir assim. Afinal, como sabemos a melhor maneira de nos dirigir a alguém? Como sabemos se abraçamos ou apenas acenamos? Como fazemos essa leitura do outro para saber até onde podemos ir?

Muitas vezes temos alguma ideia de como agir, pois sabemos a trajetória de vida da pessoa, onde ela trabalha, o que faz ou pelas histórias que conta. A partir do que vemos, criamos julgamentos e definimos nossa ação: “aquele cara é muito sério, então não vou chegar perto dele”, “aquela moça é muito simpática, então fico mais à vontade para conversar com ela”.  Afinal, o que você percebe nas outras pessoas que faz você se aproximar ou se afastar? Que faz você ser cauteloso ou despojado ao se comunicar com elas? Essa leitura que fazemos é uma soma de várias coisas: pelo o que você conhece do outro, pelo jeito que ele trata as pessoas, pelo jeito que se comporta, se expressa, gesticula, pela sua postura, pelo jeito que fala ou fica em silêncio.

Saiba como a Comunicação Transformacional pode ajudar você

É por tudo isso que, quando vamos cumprimentar uma pessoa reservada ou tímida, olhamos para ela, analisamos seu comportamento e concluímos, muito rapidamente, que ela talvez não queira ser abraçada ou cumprimentada, que talvez não queira ter uma relação próxima naquele momento. E como fazemos essas conclusões de maneira tão rápida? Pelo conjunto de ações e expressões corporais e verbais que a pessoa manifesta. Muitas características são percebidas sem nos darmos conta, seja pelo jeito que ela fala, olha ou movimenta o corpo. Esse distanciamento do outro pode se manifestar, neste exemplo, quando a pessoa troca algumas palavras de longe, quando nos cumprimenta de longe e não faz menção de se aproximar. Esses são alguns sinais que nos dizem “agora não é o momento de se aproximar”. E respeitamos. Não importa se esse afastamento ocorre porque a pessoa está de mau humor ou por pura timidez.

É possível que essa timidez ocorra porque a pessoa não sabe como agir com o outro: “Se ele falar comigo, o que vou dizer?” “Se me perguntar algo, como vou reagir?” “Se me fizer um elogio ou uma crítica, como vou receber isso?” Seja o que for, o que nos resta é respeitá-lo, porém, para respeitar o outro é preciso compreender os seus sinais. Com o treinamento das habilidades de comunicação nas relações, vamos refinando a nossa percepção sobre as pessoas, sobre o que acontece a nossa volta e assim conseguimos saber exatamente qual postura adotar frente a determinadas circunstâncias. Mesmo que alguém se esquive da conversa, você saberá como acolher essa pessoa e conseguirá se aproximar dela, se isso for de seu interesse. Saber se comunicar melhora significativamente nossas relações, sejam profissionais, sociais ou familiares.


Maiana Antunes – Consultora em Comunicação / Jornalista / Pós-graduada em Master Trainer Training em Programação Neurolinguística / Em processo formativo das Constelações Familiares e Sistêmicas Integrativas com Tereza Brandão / Em Formação para Constelador Familiar Hellinger®