Artigos assinados – Como evitar deslizes ao escrever para sites, revistas e jornais

Muitos sites especializados e veículos de mídia, sejam impressos ou digitais, abrem espaço para profissionais publicarem seus artigos sobre algum tema de sua área de atuação. Seja sobre saúde, direito, negócios, autoconhecimento, moda ou beleza, é comum encontrarmos esse tipo de texto assinado por um especialista no assunto e que não reflete, necessariamente, a opinião do veículo.

No meio jornalístico, quando falamos em matéria e reportagem, isso significa que um repórter/jornalista irá buscar as informações com diferentes profissionais para produzir um texto. Essa matéria, portanto, não se baseia na opinião apenas de um especialista, mas sim é constituída de diferentes visões, a fim de que o leitor tire suas próprias conclusões. Já um artigo assinado é escrito, do início ao fim, geralmente por uma única pessoa e consiste de sua visão sobre determinado assunto do qual domina.

A maioria dos veículos de mídia oferece gratuitamente um espaço para artigos assinados, o que é interessante para o veículo, pois o profissional atrai e mantém leitores se o conteúdo for relevante e ainda reduz custos, uma vez que sua contribuição com a produção de conteúdo é sem remuneração, diferentemente do que acontece com um jornalista. Em contrapartida, se o veículo for sério e tiver um bom número de leitores, o profissional só tem a ganhar quando publica um texto de sua autoria, afinal, se o conteúdo for de interesse do público-leitor, se tiver uma linguagem clara e estiver bem escrito – sem erros – os leitores vão querer saber mais sobre ele e sobre seu trabalho, o que pode gerar visitas ao seu site ou blog e possivelmente transformar leitores em clientes.

Acontece que muitos profissionais desperdiçam a chance de trabalhar a favor de sua imagem, ou da imagem de sua empresa, ao usar de maneira inadequada o espaço oferecido a eles. Pense bem: você tem a oportunidade de escrever para um veículo que tem milhares de leitores, sendo que muitos podem se tornar seus clientes. Porém, basta um deslize no texto para que muitas pessoas construam uma imagem equivocada a seu respeito, seja pelo conteúdo ou pela maneira que você se comunicou através das palavras. Mesmo que você seja um especialista no assunto sobre o qual vai escrever, não significa que seu artigo estará claro e bem redigido.

O público

Antes de começar a escrever, você deve conhecer quem é o público-leitor e a qual linguagem ele está acostumado. Se o veículo aborda seus assuntos com um tom mais informal, é possível que você não seja bem-recebido pelos leitores ao escrever com tanta formalidade. Se você tem o hábito de dar um tom sério aos seus textos, explore como você pode chegar ao meio-termo ao escrever para um público acostumado com uma leitura mais leve. Saiba que a porta de entrada para qualquer texto é o título, portanto saber quem é o seu público vai facilitar a escolha do título, que via de regra não deve ser longo, vago ou com termos técnicos desconhecidos da maioria.

Termos técnicos

Se você citar algum termo específico de sua área, mesmo que esteja familiarizado com ele, explique brevemente do que se trata. Claro, se você escrever para uma revista científica relacionada com o tema sobre o qual vai redigir, os leitores já estão acostumados com muitos termos técnicos, então não é preciso fazer explicações. Mas se você publicar um artigo em um veículo com leitores de diferentes áreas, se pergunte se a informação está clara, tanto para um estudante de Biologia quanto a um consultor de moda, por exemplo. Peça para outra pessoa, que desconheça o assunto, que leia seu texto ou consulte um jornalista. Muitas vezes o que parece óbvio para você pode confundir o leitor.

Ortografia

A Língua Portuguesa tem algumas armadilhas, até para quem está habituado a ler muito e a escrever. Por isso, quando finalizar seu texto, dê liberdade ao veículo para que um redator ou editor leia o artigo e aponte qualquer incoerência. Tenha humildade. Você pode dominar o assunto, mas não significa que está livre de cometer algum deslize, seja por erro de digitação ou falta de conhecimento da gramática.

Eu, particularmente, não confio em veículos que publicam um texto que não foi lido por ninguém da redação, pois demonstra falta de empatia, o que podemos traduzir como: “se o autor do artigo errar, não temos nada a ver com isso”. Algumas empresas de comunicação ignoram o fato de que o erro do autor também prejudica a credibilidade do veículo.

 


Maiana Antunes – Consultora em Comunicação / Jornalista / Pós-graduada em Master Trainer Training em Programação Neurolinguística / Em processo formativo das Constelações Familiares e Sistêmicas Integrativas com Tereza Brandão / Em Formação para Constelador Familiar Hellinger®